sábado, 26 de dezembro de 2009

UM TÚNEL AO FUNDO DA LUZ!

À primeira vista, o titulo parece estar ao contrário. Parece mas não está, é assim mesmo, ou melhor, passou a ser assim. Há muito que o «famoso» túnel da Luz se tornou o cenário privilegiado para os arruaceiros vermelhos desferirem todos os golpes baixos, desde as ameaças de dirigentes a árbitros, treinadores e jogadores adversários até ao actual método refinado de colocar os «stewards» a fazer também eles o «serviço sujo,» com o intuito de ilibarem os principais responsáveis. Uma forma mais de fazer as coisas por outro lado.

Destas e de outras artimanhas já os Dragões deveriam estar devidamente avisados e sobretudo superiormente preparados para proceder à competente blindagem no sentido de percorrer incólumes esse antro. Mais que um adversário ou um rival essa corja há muito se tornou um inimigo. A sábia frase popular «quem vai para o mar avia-se em terra» aplicar-se-ia com toda a propriedade neste caso.

O que se passou efectivamente, encontra-se no âmbito da especulação uma vez que, ao contrário do que se passa nos países civilizados, as câmaras de televisão não cobrem o espaço em causa e as do clube podem sofrer manipulações, dando margem para toda e qualquer distorção dos acontecimentos. O comportamento dos atletas portistas visados, ao se exporem, foi em todo o caso deplorável e inaceitável, demonstrativos da ligeireza com que os responsáveis portistas encararam esta deslocação, com os prejuízos daí inerentes.

Este caso, entregue às mãos do «justiceiro» Ricardo Costa teve já o «sábio» desenvolvimento da instauração de um processo disciplinar, provocando a suspensão preventiva automática até à deliberação final do CD da Liga, cujo epílogo poderá ocorrer daqui a trinta dias ou mais. Trata-se de uma alteração, aparentemente proposta pelo FC Porto em Junho deste ano, colocando assim mais uma arma de arremesso à disposição do terrível «sniper». Inacreditável!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

BOAS FESTAS



A todo o universo portista

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

PRIMEIROS PALCOS PORTISTAS - PARTE II

CAMPO DA CONSTITUIÇÃO

Mediante um aluguer anual de 350 escudos, o Campo da Constituição sucedeu, em 1913, ao Campo da Rainha.

Fachada principal do Campo da Constituição, vista da rua com o mesmo nome

Foi inaugurado com o jogo entre o FC Porto e o Oporto Cricket and Lawn Tennis Club, da Foz, tornando-se a casa dos jogos dos Campeonatos Regionais e Nacionais, disputados num pelado entre dois «peões».

Fase de um jogo de veteranos disputado no Campo da Constituição

O número sempre crescente de adeptos e associados, atraídos pela actividade e êxitos do FC Porto, com relevo para o futebol e andebol de onze, impõe a remodelação, em 1939. Em redor do campo são construídas novas bancadas e algumas dezenas de camarotes, rudimentar estrutura de madeira a uns quatro metros do solo, aumentando a capacidade da lotação para 20.000 lugares, muitas vezes insuficientes e excedida nos dias dos grandes jogos. Não raro, o público transbordava e invadia o terreno de jogo, forçando a interrupções para que a multidão se acomodasse com sardinha em lata.

Na foto do canto superior esquerdo, um aspecto dos camarotes. Em baixo a bancada de madeira. à direita, em cima aspecto das enchentes com o público a transbordar para o terreno de jogo. Em baixo os balneários, que ficavam entre a fachada principal e o terreno de jogo.

Ao longo de muitos anos, o Campo da Constituição seria palco de jogos de futebol, andebol, hóquei em campo, com a edificação de uma alta, imponente e assustadora super-bancada, no topo Sul.

Durante quase meio século o Campo da Constituição foi palco de encontros inesquecíveis. Por lá passaram grandes equipas da Europa, como o Real Madrid e o Vasas de Budapeste.

Com a inauguração do Estádio das Antas, em 1952, O Campo da Constituição tornou-se o berço dos mais jovens talentos futebolísticos e assistiu, no seu primitivo ringue de cimento, a grandes duelos de hóquei em patins, andebol de sete e basquetebol.

Já propriedade do Clube, é hoje uma estrutura moderna e funcional, onde está a ser desenvolvido o projecto Visão 611, virado para a descoberta e formação de jovens talentos.

As obras de reabilitação transfiguraram o espaço onde foram edificadas as instalações dos serviços administrativos, de atendimento e de direcção, numa das alas, com outra para uma loja comercial com acesso a partir da Rua da Constituição e que ocupam um piso.


O edifício interior, com três pisos, está reservado aos balneários dos utentes, técnicos e árbitros, nos dois pisos inferiores. Ao nível do piso 0, uma portaria, uma sala de reuniões/imprensa e arrumos.

O último piso contempla uma área destinada a um Sports Café, para convívio dos utentes.

Os espaços de jogos não escapam a esta profunda remodelação, sendo substituídos por dois campos de relva sintética: um para o futebol de onze, outro para o futebol de sete - este último com cobertura em policarboneto de cristal. Rebatizado com o nome Campo da Constituição/Vitalis Park, a inauguração teve lugar a 4 de Setembro de 2008.


Fontes: FC Porto - Figuras & Factos 1893 - 2005, de J. Tamagnini Barbosa e Manuel Dias; FC Porto - 100 anos de história 1893-1993, de Álvaro Magalhães e Manuel Dias; Fotobiografia, de Rui Guedes e Revista Dragões

domingo, 20 de dezembro de 2009

ESCORREGÃO NO «BATATAL»

FICHA DO JOGO

(Clicar no quadro para ampliar)

Não foi feliz o FC Porto na deslocação ao «batatal» da luz, numa noite fria e chuvosa.

Nos primeiros cinco minutos os Dragões deram a ideia de querer resolver rapidamente a contenda, remetendo o seu adversário a defesa porfiada, contudo foi sol de pouca dura já que o ímpeto inicial foi-se desvanecendo por culpa própria face às perdas de bola frequentes, num regresso ao futebol do passado recente, incaracterístico, irritante e improfícuo.

Disso se aproveitou o rival, ganhando os lances no meio campo portista, aparecendo com mais frequência junto à área contrária. Acabaria por chegar ao golo, na sequência de um lance perigoso que Álvaro Pereira tinha resolvido perto da linha de golo, Meireles completou o alívio de cabeça já no limite da área, enviando a bola para o meio campo. David Luiz, de primeira lançou de novo para a área, apanhando toda a defensiva portista completamente a dormir. Saviola atento, marcou sem oposição, já o ponteiro tinha percorrido a primeira vintena do jogo.

Só na segunda metade o FC Porto foi capaz de esboçar uma reacção visível, tão mal estavam a sair os passes, as desmarcações e os raros remates. Com perigo efectivo, só depois de decorrida a primeira hora, precisamente aos 61', o FC Porto foi capaz de fazer tremer o seu adversário num remate forte de Álvaro Pereira, obrigando Quim a defesa vistosa e três minutos depois num disparo de Raul Meireles, tendo a bola sofrido um desvio em Falcao, acabando por sair muito perto do poste com o guarda-redes completamente batido.

Até final, as interrupções de jogo, as demoras na reposição da bola, as simulações de lesões e outras artimanhas, com o intuito de quebrar o ritmo de jogo, foram os argumentos dos lisboetas para garantirem os três pontos.

A derrota foi o castigo certo para o mau desempenho dos jogadores portistas.

Depois de dois jogos bem conseguidos (Guimarães e A. Madrid), esta exibição demonstrou que os problemas não estão ultrapassados. Jesualdo vai ter duro trabalho para os debelar.

sábado, 19 de dezembro de 2009

VOAR SOBRE UM NINHO DE ABUTRES

O TETRACAMPEÃO NACIONAL vai apresentar-se amanhã na capital do império para defrontar a «mais grande» equipa do mundo e arredores, virtual campeã desde a pré-época, comandada por esse grande «exterminador» e auto-denominado rei da táctica, Jesus, que não conseguiu renovar o título de campeão de Inverno! (Os pasquins e a CS não deixarão, todavia, de «fabricar» outro título até ao final do ano, em jeito de compensação).

Sei de fonte segura que os jogadores portistas já não dormem há mais de quinze dias, acagaçados que andam, só de pensar neste jogo. Os jornalistas bem tentaram arrancar-lhes algumas declarações, desde então, mas a tremedeira desencorajou-os! Até tu Jesualdo!

Pinto da Costa, o tal que domina as instâncias do futebol português, bem tentou amealhar os três pontos sem ter de jogar, mas desta vez deparou-se com um entrave inultrapassável, a famosa e concorrida petição do Rui Santos, pela verdade desportiva (qual verdade?). A adesão está a ser um sucesso e conta chegar aos 6 milhões muito brevemente. O Lucílio já assinou e o famoso «justiceiro» da Liga, o Costa, também.

Assim, Jesualdo teve mesmo de convocar os seus atletas e partir para a mourama, cheio de preocupações, ainda por cima sem jogadores lesionados ou castigados. Não queria estar na sua pele!

Lista completa dos convocados: Helton, Beto, Fucile, Sapunaru, Rolando, Bruno Alves, Nuno André Coelho, Álvaro Pereira, Fernando, Raúl Meireles, Guarín, Belluschi, Varela, Hulk, Falcao, Farías, Cristian Rodriguez e Mariano Gonzalez.

A escolha do onze titular, pode reservar algumas surpresas, face à imprevisibilidade a que o Professor gosta de dar largas. Creio não ser o caso da defesa, constituindo as maiores dúvidas a composição do meio campo, onde Fernando e Meireles me parecem de pedra e cal, faltando saber qual o terceiro elemento para os acompanhar e a do ataque onde várias combinações são possíveis. Também a disposição no terreno poderá ser novidade, ainda que não seja muito provável.

Em todo o caso arrisco a seguinte formação inicial:

EQUIPA PROVÁVEL


Competição: Liga Sagres - 14ª Jornada
Jogo: SL Benfica - FC Porto
Palco: Estádio da Luz - Lisboa
Árbitro: Lucílio Baptista - A.F. de Setúbal
Hora e dia do jogo: 20:15 H de Domingo (20.12.09)
Transmissão: Sport TV1

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

UM ARSENAL NA «GUERRA» DA EUROPA!

O FC Porto ficou a conhecer hoje o seu adversário, nos oitavos-de-final da Champions League, sorteio realizado em Nyon, Suíça e que contou com a presença de Vítor Baía.

Será um reencontro, já que na época passada os ingleses fizeram parte do mesmo Grupo de qualificação, tendo os Dragões finalizado em primeiro lugar, apesar da pesada derrota sofrida em Londres, por 0-4, num equívoco corrigido no Dragão com a vitória portista por 2-0.

Trata-se de um adversário perfeitamente ao alcance do FC Porto, mas a exigir as naturais preocupações e cuidados.


RESULTADO DO SORTEIO


«Já os conhecemos da época passada. Tivemos uma boa prestação e fomos primeiros do grupo», recordou Baía, lembrando, também, as dificuldades que os azuis-e-brancos conheceram em Londres, fruto da derrota por 4-0.

O director para as Relações Externas do FC Porto referiu ainda que «os dois duelos nos oitavos, por serem a eliminar, vão ter um sabor diferente».

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

VERDADE DESPORTIVA? QUAL?

A frase começou a tornar-se badalada a partir da altura em que a hegemonia do futebol português se mudou para Norte, mais propriamente para o Porto, numa luta titânica para desvalorizar as conquistas do seu mais lídimo representante.

Até lá, não me lembro de alguma vez ter sido sequer pronunciada, muito menos posta em causa, apesar dos inúmeros casos que proporcionaram aos clubes da capital juntar aos seus palmarés títulos atrás de títulos. Vivíamos então num regime político de direita, fechado, controlador, egocêntrico e macrocéfalo, que fazia da capital o modelo e das suas instituições os seus símbolos.

Em termos desportivos, que é afinal a razão desta crónica, os problemas relacionados com a verdade desportiva, ou falta dela, como preferirem, começaram realmente e em simultâneo com o inicio das competições. Como não podia deixar de ser, a arbitragem esteve sempre na mira de fogo dos clubes, face à sua má qualidade e permeabilidade, potenciando naturais desconfianças e algum mal estar.

A Federação Portuguesa de Futebol chegou mesmo a recorrer ao serviço de árbitros espanhóis para os jogos de maior importância.

A Comunicação Social de então, restringida às emissoras de rádio, aos jornais generalistas e a alguns desportivos com tiragens bi-semanais ou semanais, fazia uma cobertura dos acontecimentos de forma bastante tendenciosa, protegendo os clubes do coração, sem nunca questionar a verdade.

Só quem acompanhava «in-loco» percebia tal comportamento, ficando a maioria dos interessados pelo desporto rei à mercê do que liam ou ouviam nos relatos radiofónicos. O aparecimento da RTP, nos finais dos anos cinquenta, ao invés de ser aproveitada para um clima clarificador, face à inegável força da imagem, serviu apenas para alimentar os interesses instalados, na defesa e branqueamento, mais uma vez dos principais clubes da capital do império.

Servida por ex-atletas de Benfica e Sporting, os poucos programas desportivos eram desenvolvidos segundo a máxima salazarista «a Bem da Nação», seleccionando-se criteriosamente as notícias, os relatos e as imagens, de forma a não constituírem engulhos a uma sociedade que se queria apresentar como perfeita.

A revolução dos cravos teve o condão de democratizar a sociedade em geral e a desportiva em particular. Ao futebol profissional chegaram novas e mais modernas estruturas, terminando o reinado das Associações, substituídas pelo voto dos clubes.

A Comunicação Social, como não poderia deixar de ser, sofreu também uma enorme evolução. A televisão, as rádios e os jornais expandiram-se, originando em termos desportivos, um leque de escolhas nunca visto. São os jogos de futebol em directo pelas TV's, programas desportivos quase diários, debates, entrevistas, jornais desportivos com tiragens diárias, enfim, um manancial verdadeiramente fantástico que colocou ao dispor dos interessados a capacidade de analisarem e pensarem com a sua cabeça, isto naturalmente se conseguirem ficar imunes às influências de apresentadores, comentadores ou convidados. É que dos tiques da ditadura alguns não se livraram. As capas do jornais desportivos e a diferença de tratamento que dão aos diferentes clubes, são apenas pequenos exemplos elucidativos.

Ora era aqui que eu queria chegar!

Deve a verdade desportiva restringir-se às competições e aos seus agentes, ou deverá também estender-se à CS? Não tem esta a obrigação de ser isenta e verdadeira, defensora da imagem que se pretende para o futebol português e desporto em geral? Creio que as respostas são óbvias!

Quando vejo a CS ceder de forma irresponsável às pressões e chantagem despudoradas e ridículas de um auto proclamado paladino da transparência, sempre metido em situações obscuras, e a tonar-se cúmplice daquilo que foi a mais vergonhosa tentativa de assassinato desportivo do melhor dirigente desportivo português de todos os tempos, tenho que ficar com a pulga atrás da orelha!

Quando vejo um «iluminado», todas as semanas, a fazer juízos de valor, a espalhar a intriga e a maledicência, a fazer análises obtusas, que as próprias imagens desmentem e pomposamente propor uma subscrição pública na defesa da verdade desportiva, fico naturalmente desconfiado.

Quando vejo comentadores desportivos (um de voz esganiçada, a fazer inveja à mais castiça peixeira do mercado do Bolhão, outro de ar cínico ao estilo das melhores personagens dos filmes de Hitchcock), perante imagens esclarecedoras, distorcer pateticamente a verdade, na defesa das suas cores, tenho que perguntar: «Que raio de verdade desportiva querem eles?»

Não necessito de resposta, porque o que eles querem sei eu bem.

Obs.: Tive o cuidado de não ilustrar com imagens esta crónica por questões ecológicas.